O MUNDO EM NOTÍCIAS:

Loading...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quem foi o homem que deu seu nome ao distrito

         Paulino José Soares de Souza, o Conselheiro Paulino (foto), era natural do município de Itaboraí, onde nasceu em 21 de abril de 1834 e morava em uma das maiores casa de engenho que existia na época. Essa casa pertencia ao Visconde do Uruguai e a dona Ana de Soares Macedo Souza, seus pais. Em Itaboraí, Paulino José passou boa parte de sua juventude.
         Ele era o primeiro filho e, por isso, como era de costume naquela época, desde cedo os pais se preocupavam muito com os filhos, procurando fazer com que aprendesse aspectos administrativos e políticos. A família dedicava muitos recursos para pagar professores particulares que iam até a casa de Paulino e mais tarde, o rapaz foi matriculado no Imperial Colégio Pedro II, onde se bacharelou em Ciências e Letras, lá pelos idos de 1850. Por sua ilustre educação, desde cedo Paulino José era muito respeitado.
         Por sua casa, passavam importantes figuras da Corte e destacados estadistas que iam conversar com seu pai e mais tarde como o próprio Paulino. Mais a frente, Paulino José recebeu um mandato no Parlamento do Império que manteve por 30 anos. Mas este fato não gerava espanto, já que pode-se dizer que ele foi preparado para ser um político e para ser essencialmente um estadista, ou seja, uma pessoa de atuação notável na política e na administração de um país.
         Como prêmio por ter concluído com destaque o curso de advocacia, o futuro “Conselheiro Paulino” ganhou uma viagem a Paris como segundo secretário da delegação do Visconde do Uruguai, seu pai. “Conselheiro Paulino”, no entanto, não queria continuar na carreira diplomática e logo na primeira oportunidade se candidatou a Deputado Federal pela Província do Rio de Janeiro, pelo Partido Conservador e foi eleito com louvor. Ele se destacou em diversos discursos, pois era um respeitável orador e o que falava impressionava a platéia e, em muitas vezes, suas palavras serviam como documento em futuros atos para seus colegas de partido. Conselheiro Paulino foi um homem político muito correto e com seriedade e, por isso, fez uma trajetória honrosa e de muito proveito para o nome de sua família.
         Conhecido como um dos advogados mais atuantes do Rio de Janeiro, exercia seu segundo mandato como Deputado Federal quando conheceu a jovem filha do Coronel Joaquim José da Silva e dona Maria Fortunata da Silva, que se chamava Maria Amélia da Silva. Esta jovem era natural de Nova Friburgo, mas naquela época morava com sua família no Casarão da Sesmaria de Val de Palmas, no município de Cantagalo e era a única herdeira da referida fazenda, que no ano de 1859 casou-se com Conselheiro Paulino.
         Com esta união matrimonial, Paulino José se tornou mais poderoso ainda, como dono de engenho e fazenda, na Baixada e na Serra.  Seu prestígio como político e dono de terras era tanto que aqui na região era chamado de Senhor Val de Palmas. Mas houve uma época na trajetória política de Paulino em que seu partido passou a ser considerado como oposição ao governo, e então ele teve que lutar muito para não ser derrubado em seus propósitos. Mesmo diante das dificuldades, Conselheiro Paulino chegou ao cargo de Ministro de Estado em 1868. Como benfeitorias de sua vida parlamentar e de administrador, tanto que a história lhe credita a reforma do ensino público, o projeto de alongamento da estrada de ferro Leopoldina até Macuco, dedicação as causas filantrópicas e colaboração para diminuir os problemas da Santa Casa de Misericórdia do Rio.
         Já um pouco idoso, Paulino José sempre passava por Nova Friburgo de trem e vinha muito aqui também à negócio. Ele gostava desta terra por sua hospitalidade e também por ser a terra natal de sua esposa, Maria Amélia. Como diretor da Estrada de Ferro Leopoldina Realway, em diversas oportunidades usou o escritório da estação de trem aqui de Conselheiro para despachar encomendas e para telegrafar para o escritório central e cumprimentada a todos com muita cordialidade. Por isso ficou conhecido por aqui como “o bom e elegante velinho”, que trazia consigo entre outros adjetivos o de Conselheiro do Império e assim, portanto, se tornou o Conselheiro Paulino.
         O nome, portanto, de Conselheiro Paulino dado a este nosso 6º distrito de Nova Friburgo, é uma homenagem a Paulino José Soares de Souza que começou sua fama desde 1889, quando foi inaugurada a estação ferroviária com a linha que ligava esta parte de Nova Friburgo ao município de Sumidouro. Paulino José Soares de Souza, o Conselheiro Paulino, faleceu no Rio de Janeiro, no ano de 1901.

Um comentário:

  1. Muito Bom o artigo, bem lembrado, seu filho foi o Médico Augusto Paulino Soares de Souza que nasceu em 4 de Setembro de 1877, no Rio de Janeiro, neto do Visconde do Uruguai e filho do Conselheiro Paulino José Soares de Souza, advogado ilustre, várias vezes ministro e último presidente do Senado do Império quando da proclamação da república em 1889, e de sua esposa, Maria Amélia da Silva Soares de Souza. 
    Fez seus primeiros estudos no Colégio Anchieta de Nova Friburgo. Terminados seus estudos de humanidades, inscreveu-se em 1894 na Faculdade de Medicina  do Rio de Janeiro. No ano seguinte, ingressa como interno do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Terminado o curso médico, em 1899, alcança o cargo honroso de Interno da Faculdade, servindo na enfermaria da Segunda Cadeira de Clínica Médica, a cargo do famoso professor, Dr. Benício de Abreu, onde adquiriu as características de médico clínico, confirmando suas afirmações posteriores de que o cirurgião deve ser um clínico que opera. 
    Durante o curso médico, acompanhou na Anatomia Médico Cirúrgica e na Clínica Cirúrgica o ilustre professor Augusto Brant Paes Leme, de quem se tornou discípulo favorito, adquirindo dele os dotes de exímio desenhista, além de anatomista. Prova isso a sua tese de doutoramento, em 24 de Janeiro de 1899, “Cirurgia do pulmão e da pleura”, assunto que, à época, era ainda muito pouco explorado na literatura médica. 
    Numa de suas conclusões, sua tese declara que a tuberculose seria, no futuro, tratada cirurgicamente, em suas complicações, o que foi comprovado mais tarde, cerca de 50 anos depois, inclusive pela operação proposta por seu filho, Fernando Paulino, com a apicolise, denominada “Paulino’s procedure” na literatura médica mundial. 
    Em Março do mesmo ano, foi nomeado para o cargo de Preparador da Cadeira de Anatomia Médico-cirúrgica, por onde iniciaria a prática do ensino da cirurgia. Lecionou em vários cursos, devidamente aprovados pela congregação, a Anatomia Médico-cirúrgica e a Clínica Cirúrgica. 
    É nomeado, no ano seguinte - importante passo em sua carreira - cirurgião efetivo da Santa Casa da Misericórdia e da Associação dos Empregados do comércio,, tendo exercido, nesta última entidade, durante muitos anos, o cargo de diretor dos Serviços Clínicos. 
    Seus brilhantes esforços em prol do ensino, concedem-lhe, em 1911, a nomeação de Professor Extraordinário de Anatomia Médico-cirúrgica, posto no qual amplia e confirma sua já reconhecida competência. Em 1916, é designado Professor Catedrático de Clínica Cirúrgica, sucedendo seu mestre Paes Leme, por dois terços da congregação da Faculdade de Medicina. Toma posse, em 1911, como chefe da 15ª enfermaria da Santa Casa da Misericórdia, chefia esta ocupada, mais tarde, por seu filho, Prof. Augusto Paulino Filho. 
    Ensina, na Santa Casa, e na Faculdade de Medicina, de 1910 a 1945, quando foi jubilado por limite de idade de sua cadeira de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil, tornando-se Professor Emérito algum tempo depois. 
    Em 1932, já havia obtido, por concurso, a nomeação para Professor de Clínica Cirúrgica da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, aposentando-se em 1949. Foi Diretor da referida Escola, de 1946 a 1948. 
    Foi membro fundador do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Urologia, tendo sido seu Presidente. Membro da Academia Nacional de Medicina desde 1909, ocupando vários cargos em sua diretoria, sendo seu Vice-presidente em certa época. Entre outras sociedades de que foi membro, podemos citar o Colégio Americano de Cirurgiões, o Colégio Internacional de Cirurgiões, Honorário da Academia Brasileira de Medicina Militar, Honorário da Sociedade Brasileira da História da Medicina. 
    Foi um pioneiro em várias modalidades cirúrgicas.
     
    * Augusto Paulino Netto: Membro da Academia Nacional de Medicina 

    ResponderExcluir